Esse post terá apenas um video, nada de fotos. É uma música da Des'ree... que é uma cantora fabulosa, tem uma voz incrivelmente linda... essa música não mostra a dimensão da beleza da voz dela mas a letra é muito bacana e não diz apenas o que eu desejo pra 2011 mas, também, o que eu desejo pro resto da vida!
Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar. Lya Luft
31 dezembro 2010
25 dezembro 2010
Tristeza

Funeral Blues
Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
W. H. Auden
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12 dezembro 2010
Balanço de 2010
Alguns amores parecem não acabar nunca... e, por isso, é muito bom estar bem resolvida com eles... isso sempre me pareceu bobagem mas acho que é verdade... tenho certeza, aliás. E é muito bom que seja assim... pode não ser do jeito esperado mas após várias tentativas erradas a gente aprende a lidar com o que pode ter... não aceitar isso causa muito sofrimento... muito mesmo. Entretanto, aceitar, se conformar e aprender a aproveitar o que se tem, embora não seja o ideal, é um alívio... traz paz.
O ano está acabando e eu continuo sem namorado mas esse ano não vou reclamar... estou afetivamente bem resolvida e consegui realizar muitas coisas que queria há tempos... não todas... mas o suficiente. E para melhorar mais um bocadinho o fim de ano, apareceu um pretendente pra tornar tudo mais interessante... como sempre é muito mais platônico mas, mesmo assim, é divertido.
O ano está acabando e eu continuo sem namorado mas esse ano não vou reclamar... estou afetivamente bem resolvida e consegui realizar muitas coisas que queria há tempos... não todas... mas o suficiente. E para melhorar mais um bocadinho o fim de ano, apareceu um pretendente pra tornar tudo mais interessante... como sempre é muito mais platônico mas, mesmo assim, é divertido.
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14 novembro 2010
Sobre a morte
“Morte, não seja orgulhosa,
embora algumas tenham chamado de
poderosa e espantosa, pois você não é tal.
Morte, você morrerá!”
John Donne
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09 novembro 2010
Do Desejo
"O prazer e a dor suscitam o desejo. Desejo de alcançar o prazer e de evitar a dor. O desejo é o móbil principal da nossa vontade e, portanto, dos nossos atos. Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade. O desejo fraco suscita, naturalmente, uma vontade fraca.
Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer. A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo.
O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.
Um desejo que invade todo o entendimento, transforma a nossa concepção das coisas, as nossas opiniões e as nossas crenças. Spinoza muito bem disse julgamos uma coisa boa, não por julgamento, mas porque a desejamos".
Gustave Le Bon
DO DESEJO
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Do Desejo - 1992) Hilda Hilst
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Do Desejo - 1992) Hilda Hilst
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
( Do Desejo - 1992) Hilda Hilst
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02 novembro 2010
Recomeçando sempre
Esse ano está sendo o mais diferente dos últimos anos, eu acho... até agora tem sido assim! E acho que pra finalizar houve uma coisa realmente inédita, o Brasil tem uma presidente! Eu duvidei muitas vezes, principalmente por causa do machismo velado que ainda é muito forte no país. Ainda bem que até um certo ponto eu estava errada.
A palavra
... Sim senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo- as, aparo-as, preparo me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como agatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, (1) feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caiam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras, aspalavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.Pablo Neruda - Confesso que vivi
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Sete desejos
18 outubro 2010
Questões Espirituais
Forgiven
You know how us Catholic girls can be
We make up for so much time a little too late
I never forgot it, confusing as it was
No fun with no guilt feelings
The sinners, the saviors, the loverless priests
I'll see you next Sunday
(chorus)
We all had our reasons to be there
We all had a thing or two to learn
We all needed something to cling to
So we did
I sang Alleluia in the choir
I confessed my darkest deeds to an envious man
My brothers they never went blind for what they did
But I may as well have
In the name of the Father, the Skeptic and the Son
I had one more stupid question
(repeat chorus)
What I learned I rejected but I believe again
I will suffer the consequence of this inquisition
If I jump in this fountain, will I be forgiven
(repeat chorus)
We all had delusions in our head
We all had our minds made up for us
We had to belive in something
So we did
Alanis Morissette
MEDITAÇÃO 17 (trecho)
Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme.
Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio.
A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
John Donne -Tradução: Paulo Vizioli
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10 outubro 2010
O que só Debussy compreende
Irônico, durante muito tempo eu pensei que meu relacionamento perfeito fosse o sem brigas e no final descobri que esse foi o pior de todos, quando as duas partes julgam o relacionamento perfeito e sem problemas é por que é o relacionamento mais problemático... quando a realidade vem a tona você percebe que o relacionamento se torna impossível... e que as expectativas eram altas demais para serem atingidas... na verdade as expectativas eram cruéis! Os relacionamentos mais perfeitos são os piores pois são cheios de cobranças veladas. É muito melhor, às vezes, quebrar o pau e dizer tudo o que é preciso dizer, pois quando acontece assim é mais aberto e sincero e não ficam mágoas nem situações mal resolvidas...
1
Não haverá um equívoco em tudo isso?
O que será em verdade transparência
Se a matéria que vê, é opacidade?
Nesta manhã sou e não sou minha paisagem
Terra e claridade se confundem
E o que me vê
Não sabe de si mesmo a sua imagem.
E me sabendo quilha castigada de partidas
Não quis meu canto em leveza e brando
Mas para o vosso ouvido o verso breve
Persistirá cantando.
Leve, é o que diz a boca diminuta e douta.
Serão leves as límpidas paredes
Onde descansareis vosso caminho?
Terra, tua leveza em minha mão.
Um aroma te suspende e vens a mim
Numas manhãs à procura de águas.
E ainda revestida de vaidades, te sei.
Eu mesma, sendo argila escolhida
Revesti de sombra a minha verdade.
Hilda Hilst
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04 outubro 2010
Interior Particular
Pensamentos
Da propriedade — como se alguém
apto a possuir coisas não pudesse
entrar na posse delas à vontade
e incorporá-las, a ele ou a ela;
da vista — pressupõe um olhar para trás,
atravessando o caos em formação
a imaginar a evolução, a plenitude, a vida
a que se chega na jornada agora
(eu porém vejo a estrada continuando,
e a jornada sempre a continuar);
do que uma vez faltava sobre a terra
e que a seu tempo foi propiciado
— e do que ainda está por ser propiciado,
pois tudo o que eu vejo e sei
creio ter seu sentido mais profundo
no que ainda está por ser propiciado.
Walt Whitman, in "Leaves of Grass"
Meu paraíso particular!!
Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
| Há metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que idéia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem cortinas). O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos, Começa a não saber o que é o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa. Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? A de serem verdes e copadas e de terem ramos E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, A nós, que não sabemos dar por elas. Mas que melhor metafísica que a delas, Que é a de não saber para que vivem Nem saber que o não sabem? "Constituição íntima das cousas"... "Sentido íntimo do Universo"... Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. É incrível que se possa pensar em cousas dessas. É como pensar em razões e fins Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. Pensar no sentido íntimo das cousas É acrescentado, como pensar na saúde Ou levar um copo à água das fontes. O único sentido íntimo das cousas É elas não terem sentido íntimo nenhum. Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! (Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora. Alberto Caeiro |
29 agosto 2010
Neruda sempre!
Madrigal Escrito No Inverno
No fundo do mar profundo,
na noite de longas riscas,
como um cavalo cruza correndo
o teu calado calado enorme.
Aloja-me em tuas costas, ai, refugia-me,
aparece-me no teu espelho, de repente,
sobre a folha solitária, noturna,
brotando do escuro, atrás de ti.
Flor da doce luz completa,
socorre-me a tua boca de beijos,
violenta de separações,
determinada e fina boca.
Afinal, no longe do longe,
de olvido a olvido residem comigo
os trilhos, o grito da chuva:
o que a escura noite preserva.
Acolhe-me na tarde de linho,
quando ao anoitecer trabalha
o seu vestuário e palpita no céu
uma estrela cheia de vento.
Chega-me a tua ausência até o fundo,
pesadamente, tapando-te os olhos,
cruza-me a tua existência, supondo
que o meu coração está destruído.
Pablo Neruda
Por que ninguém soube entender de sentimentos complicados como ele!!!!!
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23 agosto 2010
O Amante de Lady Chatterley
Vivemos numa época essencialmente trágica: por isso nos recusamos a aceitá-la como tal. O grande desastre aconteceu; achamo-nos entre ruínas, forçados a reconstruir novos hábitos, a criar de novo pequenas esperanças: trabalho bastante duro. Já não há caminhos fáceis à nossa frente; temos de contornar os obstáculos, pular por cima deles - e isso porque temos de viver, seja qual for a extensão do desastre que se abata sobre nós.
O amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence.
As vezes a gente compara nossos relacionamentos com os das outras pessoas e descobre que os nossos são muito melhores... mesmo que eles não sejam nem um pouco convencionais!!
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14 agosto 2010
DIA DO SOLTEIRO!!!!!
Eu não entendo essa história de Bloco do Eu Sozinho!!!! Quem disse que solteiro não anda acompanhado!?!?!?! Nada de Bloco do Eu Sozinho!!! Pra mim, Bloco do Eu Sozinho é só o nome de um álbum do falecido Los Hermanos!!!!!!
Al Lado Del Camino
me gusta estar a un lado del camino
fumando el humo mientras todo pasa
me gusta abrir los ojos y estar vivo
tener que vérmelas con la resaca
entonces navegar se hace preciso
en barcos que se estrellen en la nada
vivir atormentado de sentido
creo que ésta, sí, es la parte mas pesada
en tiempos donde nadie escucha a nadie
en tiempos donde todos contra todos
en tiempos egoístas y mezquinos
en tiempos donde siempre estamos solos
habrá que declararse incompetente
en todas las materias de mercado
habrá que declararse un inocente
o habrá que ser abyecto y desalmado
yo ya no pertenezco a ningún istmo
me considero vivo y enterrado
yo puse las canciones en tu walkman
el tiempo a mi me puso en otro lado
tendré que hacer lo que es y no debido
tendré que hacer el bien y hacer el daño
no olvides que el perdón es lo divino
y errar a veces suele ser humano
no es bueno hacerse de enemigos
que no estén a la altura del conflicto
que piensan que hacen una guerra
y se hacen pis encima como chicos
que rondan por siniestros ministerios
haciendo la parodia del artista
que todo lo que brilla en este mundo
tan sólo les da caspa y les da envidia
yo era un pibe triste y encantado
de Beatles, caña Legui y maravillas
los libros, las canciones y los pianos
el cine, las traiciones, los enigmas
mi padre, la cerveza, las pastillas los misterios el whisky malo
los óleos, el amor, los escenarios
el hambre, el frío, el crimen, el dinero y mis 10 tías
me hicieron este hombre enreverado
si alguna vez me cruzas por la calle
regálame tu beso y no te aflijas
si ves que estoy pensando en otra cosa
no es nada malo, es que pasó una brisa
la brisa de la muerte enamorada
que ronda como un ángel asesino
mas no te asustes siempre se me pasa
es solo la intuición de mi destino
me gusta estar a un lado del camino
fumando el humo mientras todo pasa
me gusta regresarme del olvido
para acordarme en sueños de mi casa
del chico que jugaba a la pelota
del 49585
nadie nos prometió un jardín de rosas
hablamos del peligro de estar vivo
no vine a divertir a tu familia
mientras el mundo se cae a pedazos
me gusta estar al lado del camino
me gusta sentirte a mi lado
me gusta estar al lado del camino
dormirte cada noche entre mis brazos
al lado del camino
al lado del camino
al lado del camino
es mas entretenido y mas barato
al lado del camino
al lado del camino
Fito Paez
Dyslexic Heart
Na nanana na nanana na na
na na na na nana etc.
Ah ah ah...
You shoot me glances and they're so hard to read
I misconstrue what you mean
Slip me a napkin and now that you start
Is this your name or a doctor's eye chart?
I try and comprehend you but I got a dyslexic heart
I ain't dying to offend you, I got a dyslexic heart
Thanks for the book, now my table is ready
Is this a library or bar?
Between the covers I thought you were ready
A half-angel, half-tart
Do I read you correctly, lead me directly
Help me with this part
Do I hate you? Do I date you?
Do I got a dyslexic Heart?
You keep swayin'... what are you sayin'?
Thinking 'bout stayin'?
Or are you just playing, making passes
Paul Westerberg
21 julho 2010
Asiáticos Top 5
1º Chang Chen: ator taiwanês
Há quem não goste de asiáticos... a maioria das garotas que eu conheço não gostam... mas para mim eles são sempre muito bem vindos!!! Adoooooooooro
2º Choi Siwon: Cantor pop e ator sul coreano
3º Dennis Joseph O'Neil ou Dennis Oh: ator e modelo sul coreano
4º Hyun Bin: ator e, também, sul coreano
5º So Ji-Sub: Ator e mais um sul coreano
Obs: Definitivamente preciso ir pra Coreia!
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so ji-sub
28 junho 2010
I Disappoint You
Cigarettes and chocolate milk
These are just a couple of my cravings
Everything it seems i like's a little bit stronger
A little bit thicker, a little bit harmful for me
These are just a couple of my cravings
Everything it seems i like's a little bit stronger
A little bit thicker, a little bit harmful for me
If i should buy jellybeans
Have to eat them all in just one sitting
Everything it seems i like's a little bit sweeter
A little bit fatter, a little bit harmful for me
Have to eat them all in just one sitting
Everything it seems i like's a little bit sweeter
A little bit fatter, a little bit harmful for me
And then there's those other things
Which for several reasons we won't mention
Everything about them is a little bit stranger, a little bit harder
A little bit deadly
Which for several reasons we won't mention
Everything about them is a little bit stranger, a little bit harder
A little bit deadly
It isn't very smart
Tends to make one part
So brokenhearted
Tends to make one part
So brokenhearted
Sitting here remembering me
Always been a shoe made for the city
Go ahead accuse me of just singing about places
Or scrappy boy's faces have general run out of town
Always been a shoe made for the city
Go ahead accuse me of just singing about places
Or scrappy boy's faces have general run out of town
Playing with prodigal sons
Takes a lot of sentimental valiums
Can't expect the world to be your raggedy andy
While running on empty, you little old doll with a frown
Takes a lot of sentimental valiums
Can't expect the world to be your raggedy andy
While running on empty, you little old doll with a frown
You got to keep in the game
Retaining mystique while facing forward
I suggest a reading of a lesson in tightropes
Or surfing your high hopes of adios kansas
Retaining mystique while facing forward
I suggest a reading of a lesson in tightropes
Or surfing your high hopes of adios kansas
It isn't very smart
Tends to make one part
So brokenhearted
Tends to make one part
So brokenhearted
Still there's not a show on my back
Holes or a friendly intervention
I'm just a little bit heiress, a little bit irish
A little bit tower of pisa
Whenever i see ya
So please be kind if i'm a mess
Holes or a friendly intervention
I'm just a little bit heiress, a little bit irish
A little bit tower of pisa
Whenever i see ya
So please be kind if i'm a mess
Cigarettes and chocolate milk
Cigarettes and chocolate milk
Cigarettes and chocolate milk
Do I Disappoint You
Do I disappoint you, in just being human?
And not one of the elements, that you can light your cigar on
Why does it always have to be fire?
Why does it always have to be brimstone?
Desire
Cool this body down
And not one of the elements, that you can light your cigar on
Why does it always have to be fire?
Why does it always have to be brimstone?
Desire
Cool this body down
Do I disappoint you, in just being lonely?
And not one of the elements that you can call your one and only
Why does it always have to be water?
Why does it always have to be holy wine?
Destruction
Of all mankind
And not one of the elements that you can call your one and only
Why does it always have to be water?
Why does it always have to be holy wine?
Destruction
Of all mankind
And do I disappoint you?
Do I disappoint you in just being like you?
Do I disappoint you in just being like you?
Tired of being the reason the road has a shoulder
And it could be argued, why they all return to the order
Why does it always have to be chaos?
Why does it always have to be wanderlust?
Sensational
I'm gonna smash your bloody skull.
'Cause, baby, no, you can't see inside
No, baby, no, you can't see my soul
Do I disappoint you?
Do I disappoint you?
And it could be argued, why they all return to the order
Why does it always have to be chaos?
Why does it always have to be wanderlust?
Sensational
I'm gonna smash your bloody skull.
'Cause, baby, no, you can't see inside
No, baby, no, you can't see my soul
Do I disappoint you?
Do I disappoint you?
Not Ready to Love
I'm not ready to love, I'm not ready for peace
I'm giving up the dove to the beast
I'm not ready to surrender to another gloved murderer
I'm not ready to love, I'm not ready to fly
I'm giving up belief in the sky
So you can take my seat in up above, on high, say goodbye
I'm not ready to love, I'm not ready to lie
I'm not ready to love
Until I'm ready to love you the way you should be loved
Until I'm ready to hold you the way you should be held
You should be held, but I'm not ready to
Rufus Wainwright
I'm giving up the dove to the beast
I'm not ready to surrender to another gloved murderer
I'm not ready to love, I'm not ready to fly
I'm giving up belief in the sky
So you can take my seat in up above, on high, say goodbye
I'm not ready to love, I'm not ready to lie
I'm not ready to love
Until I'm ready to love you the way you should be loved
Until I'm ready to hold you the way you should be held
You should be held, but I'm not ready to
Rufus Wainwright
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20 junho 2010
Caras Interessantes
Sei que já coloquei muita futilidade aqui mas agora irei fazer algo que todos fazem mas eu nunca fiz, não aqui, pelo menos... Há uma boa explicação, talvez não boa mas serve... Eu estou triste por que o Saramago morreu e além disso estou entediada... na verdade é muito mais por que estou entediada... Não que eu não tenha mesmo ficado triste por causa do Saramago, pois fiquei sim!!!! Deixa de conversa fiada e vamos ao que interessa... Nas próximas semana postarei fotos de caras que eu acho interessantes... Mas, lembrem-se, eu disse interessantes... se bem que eu acho a maioria bonito, mesmo os que eu sei que são feios... Tenho um gosto muito estranho!!!!! Aliás, muito além do estranho... Pra começar colocarei os tipos menos comuns... os esquisitos... os que estão fora de forma... enfim, aqueles que não tem o biotipo considerado ideal, o que para mim não faz diferença, depois colocarei os tipos comuns e aqueles que muita gente acha bonito e por fim vários posts com os asiáticos por que são muitos, muitos mesmo!!!!! Vamos lá!!!!!!!!
1º Cillian Murphy: muito esquisito, com traços bem femininos, verdadeiramente estranho
2º Eric Stoltz: Ruivo natural... eu gosto disso
3º Jon Favreau: Bem mais velho, bem fora de forma, no entanto não consigo não gostar! Ah, e é bem talentoso!
4º Kevin Smith: Bem fora de forma também mas também muito talentoso e muito fofo!
5º Algumas mulheres me matariam por colocá-lo aqui mas ele é bem esquisitinho...
Olivier Martinez
Ah, não está na ordem do menos interessante pro mais interessante! Se a ordem fosse essa eu colocaria o Kevin Smith em primeiro e o Jon Favreau em segundo!!!!!!!
1º Cillian Murphy: muito esquisito, com traços bem femininos, verdadeiramente estranho
2º Eric Stoltz: Ruivo natural... eu gosto disso
3º Jon Favreau: Bem mais velho, bem fora de forma, no entanto não consigo não gostar! Ah, e é bem talentoso!
4º Kevin Smith: Bem fora de forma também mas também muito talentoso e muito fofo!
5º Algumas mulheres me matariam por colocá-lo aqui mas ele é bem esquisitinho...
Olivier Martinez
Ah, não está na ordem do menos interessante pro mais interessante! Se a ordem fosse essa eu colocaria o Kevin Smith em primeiro e o Jon Favreau em segundo!!!!!!!
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The Turtles
10 junho 2010
Táticas e Estratégias com Mario Benedetti
Não, ele não era um escritor que dava preferência a poesias que falavam de amor, mas elas existem e eu as colocarei aqui!
TÁCTICA Y ESTRATEGIA
Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos
mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible
mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos
mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
no haya telón
ni abismos
mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple
mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites
mirarte
aprender como sos
quererte como sos
mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible
mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos
mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
no haya telón
ni abismos
mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple
mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites
TE QUIERO
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
TODAVÍA
No lo creo todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría
palpo gusto escucho y veo
tu rostro tu paso largo
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo
tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto
nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa
sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía
pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro
y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido
y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría
palpo gusto escucho y veo
tu rostro tu paso largo
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo
tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto
nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa
sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía
pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro
y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido
y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía
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04 junho 2010
Redescobrindo Mario Benedetti
Há uns meses atrás descobri mais um escritor: o uruguaio Mario Benedetti. Já havia lido algo dele e acabei descobrindo que ele morreu o ano passado e que sua obra é bastante extensa. Então pesquisei mais sobre ele. Aí ele se tornou mais um escritor para desvendar. Adoro isso!!!!!! E é claro que eu não poderia deixar de colocar alguns dos poemas dele aqui.
Dios
se quedó dormido.
Todos sabemos que esto
no es
definitivo
que es una suerte loca
quizá un breve
delirio.
Ahora vale la pena
vivir
aunque haga frío
aunque la tarde vuele.
O no vuele.
Es lo mismo.
Ahora sí
pero luego
si Dios no se despierta
qué pasará
diosmío.
cuando sientas tu voz sollozar
cuenta conmigo
(de una canción de Carlos Puebla)
Compañera
usted sabe
que puede contar
conmigo
no hasta dos
o hasta diez
sino contar
conmigo
si alguna vez
advierte
que la miro a los ojos
y una veta de amor
reconoce en los míos
no alerte sus fusiles
ni piense qué delirio
a pesar de la veta
o tal vez porque existe
usted puede contar
conmigo
si otras veces
me encuentra
huraño sin motivo
no piense qué flojera
igual puede contar
conmigo
pero hagamos un trato
yo quisiera contar
con usted
es tan lindo
saber que usted existe
uno se siente vivo
y cuando digo esto
quiero decir contar
aunque sea hasta dos
aunque sea hasta cinco
no ya para que acuda
presurosa en mi auxilio
sino para saber
a ciencia cierta
que usted sabe que puede
contar conmigo
con las golondrinas y los misiles
quiero que vuelvas antes de que olvides
como se llega al sur de Río Grande
Padre nuestro que estás en el exilio
casi nunca te acuerdas de los míos
de todos modos dondequiera que estés
santificado sea tu nombre
no quienes santifican en tu nombre
cerrando un ojo para no ver la uñas
sucias de la miseria
en agosto de mil novecientos sesenta
ya no sirve pedirte
venga a nos el tu reino
porque tu reino también está aquí abajo
metido en los rencores y en el miedo
en las vacilaciones y en la mugre
en la desilusión y en la modorra
en esta ansia de verte pese a todo
cuando hablaste del rico
la aguja y el camello
y te votamos todos
por unanimidad para la Gloria
también alzó su mano el indio silencioso
que te respetaba pero se resistía
a pensar hágase tu voluntad
sin embargo una vez cada
tanto tu voluntad se mezcla con la mía
la domina
la enciende
la duplica
más arduo es conocer cuál es mi voluntad
cuándo creo de veras lo que digo creer
así en tu omnipresencia como en mi soledad
así en la tierra como en el cielo
siempre
estaré más seguro de la tierra que piso
que del cielo intratable que me ignora
pero quién sabe
no voy a decidir
que tu poder se haga o deshaga
tu voluntad igual se está haciendo en el viento
en el Ande de nieve
en el pájaro que fecunda a su pájara
en los cancilleres que murmuran yes sir
en cada mano que se convierte en puño
claro no estoy seguro si me gusta el estilo
que tu voluntad elige para hacerse
lo digo con irreverencia y gratitud
dos emblemas que pronto serán la misma cosa
lo digo sobre todo pensando en el pan nuestro
de cada día y de cada pedacito de día
ayer nos lo quitaste
dánosle hoy
o al menos el derecho de darnos nuestro pan
no sólo el que era símbolo de Algo
sino el de miga y cáscara
el pan nuestro
ya que nos quedan pocas esperanzas y deudas
perdónanos si puedes nuestras deudas
pero no nos perdones la esperanza
no nos perdones nunca nuestros créditos
a más tardar mañana
saldremos a cobrar a los fallutos
tangibles y sonrientes forajidos
a los que tienen garras para el arpa
y un panamericano temblor con que se enjugan
la última escupida que cuelga de su rostro
poco importa que nuestros acreedores perdonen
así como nosotros
una vez
por error
perdonamos a nuestros deudores
todavía
nos deben como un siglo
de insomnios y garrote
como tres mil kilómetros de injurias
como veinte medallas a Somoza
como una sola Guatemala muerta
no nos dejes caer en la tentación
de olvidar o vender este pasado
o arrendar una sola hectárea de su olvido
ahora que es la hora de saber quiénes somos
y han de cruzar el río
el dólar y el amor contrarrembolso
arráncanos del alma el último mendigo
y líbranos de todo mal de conciencia
amén.
http://patriagrande.net/uruguay/mario.benedetti/poemas/index.php?libro=Vientos%20del%20exilio
página com muitos poemos de Mario Benedetti
AHORA VALE LA PENA
Ahora vale la pena.Dios
se quedó dormido.
Todos sabemos que esto
no es
definitivo
que es una suerte loca
quizá un breve
delirio.
Ahora vale la pena
vivir
aunque haga frío
aunque la tarde vuele.
O no vuele.
Es lo mismo.
Ahora sí
pero luego
si Dios no se despierta
qué pasará
diosmío.
HAGAMOS UN TRATO
Cuando sientas tu herida sangrarcuando sientas tu voz sollozar
cuenta conmigo
(de una canción de Carlos Puebla)
Compañera
usted sabe
que puede contar
conmigo
no hasta dos
o hasta diez
sino contar
conmigo
si alguna vez
advierte
que la miro a los ojos
y una veta de amor
reconoce en los míos
no alerte sus fusiles
ni piense qué delirio
a pesar de la veta
o tal vez porque existe
usted puede contar
conmigo
si otras veces
me encuentra
huraño sin motivo
no piense qué flojera
igual puede contar
conmigo
pero hagamos un trato
yo quisiera contar
con usted
es tan lindo
saber que usted existe
uno se siente vivo
y cuando digo esto
quiero decir contar
aunque sea hasta dos
aunque sea hasta cinco
no ya para que acuda
presurosa en mi auxilio
sino para saber
a ciencia cierta
que usted sabe que puede
contar conmigo
UN PADRENUESTRO LATINOAMERICANO
Padre nuestro que estás en los cieloscon las golondrinas y los misiles
quiero que vuelvas antes de que olvides
como se llega al sur de Río Grande
Padre nuestro que estás en el exilio
casi nunca te acuerdas de los míos
de todos modos dondequiera que estés
santificado sea tu nombre
no quienes santifican en tu nombre
cerrando un ojo para no ver la uñas
sucias de la miseria
en agosto de mil novecientos sesenta
ya no sirve pedirte
venga a nos el tu reino
porque tu reino también está aquí abajo
metido en los rencores y en el miedo
en las vacilaciones y en la mugre
en la desilusión y en la modorra
en esta ansia de verte pese a todo
cuando hablaste del rico
la aguja y el camello
y te votamos todos
por unanimidad para la Gloria
también alzó su mano el indio silencioso
que te respetaba pero se resistía
a pensar hágase tu voluntad
sin embargo una vez cada
tanto tu voluntad se mezcla con la mía
la domina
la enciende
la duplica
más arduo es conocer cuál es mi voluntad
cuándo creo de veras lo que digo creer
así en tu omnipresencia como en mi soledad
así en la tierra como en el cielo
siempre
estaré más seguro de la tierra que piso
que del cielo intratable que me ignora
pero quién sabe
no voy a decidir
que tu poder se haga o deshaga
tu voluntad igual se está haciendo en el viento
en el Ande de nieve
en el pájaro que fecunda a su pájara
en los cancilleres que murmuran yes sir
en cada mano que se convierte en puño
claro no estoy seguro si me gusta el estilo
que tu voluntad elige para hacerse
lo digo con irreverencia y gratitud
dos emblemas que pronto serán la misma cosa
lo digo sobre todo pensando en el pan nuestro
de cada día y de cada pedacito de día
ayer nos lo quitaste
dánosle hoy
o al menos el derecho de darnos nuestro pan
no sólo el que era símbolo de Algo
sino el de miga y cáscara
el pan nuestro
ya que nos quedan pocas esperanzas y deudas
perdónanos si puedes nuestras deudas
pero no nos perdones la esperanza
no nos perdones nunca nuestros créditos
a más tardar mañana
saldremos a cobrar a los fallutos
tangibles y sonrientes forajidos
a los que tienen garras para el arpa
y un panamericano temblor con que se enjugan
la última escupida que cuelga de su rostro
poco importa que nuestros acreedores perdonen
así como nosotros
una vez
por error
perdonamos a nuestros deudores
todavía
nos deben como un siglo
de insomnios y garrote
como tres mil kilómetros de injurias
como veinte medallas a Somoza
como una sola Guatemala muerta
no nos dejes caer en la tentación
de olvidar o vender este pasado
o arrendar una sola hectárea de su olvido
ahora que es la hora de saber quiénes somos
y han de cruzar el río
el dólar y el amor contrarrembolso
arráncanos del alma el último mendigo
y líbranos de todo mal de conciencia
amén.
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07 maio 2010
Mais que perfeito
Texto de um escritor que eu adoro e que é um escritor perfeito:
Joaquim:
Os Três Mal-Amados
João Cabral de Melo Neto
Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
03 maio 2010
Finalmente
Parece que o frio está se esforçando para impor sua presença, então para comemorar nada melhor que um poema que captou bem a essência do outono.
ODE AO VENTO OESTE
I
Selvagem Vento Oeste, ó tu, sopro do outono,
Invisível presença de que as folhas mortas
Fogem como fantasmas diante de algum bruxo,
Pálidas, amarelas, pretas ou vermelhas
De febre, pestilentas multidões; ó tu
Que as sementes aladas levas ao seu leito
De inverno, onde repousam frias e prostradas,
Como cadáveres nos túmulos, até
Que a tua irmã azul da primavera toque
O clarim sobre a terra sonhadora e encha
De cores e perfumes a planície e os montes,
Levando aos pastos do ar rebanhos de botões;
Espírito selvagem que por toda parte
Te moves; destruidor e salvador, oh escuta!
II
Tu em cuja corrente, em meio à agitação
Do íngreme céu, as nuvens caem como folhas
Desses confusos ramos - Firmamento e Mar -,
Anjos da chuva e do relâmpago; as madeixas
Da tempestade que está vindo se derramam
Na superficie azul de sua vaga area,
Desde a fímbria sombria do horizonte ao zênite,
Como o cabelo erguido, a rebrilhar, da fronte
Da Mênade bravia. Tu, cântico fúnebre
Do ano que está morrendo, para o qual essa última
Noite será o domo de um sepulcro enorme,
Abodado com a força congregada
De teus vapores: atmosfera espessa de onde
Chuva, fogo e granizo saltarão: oh, escuta!
III
Tu que acordaste de seus sonhos de verão
O azul Mediterâneo onde este era embalado
Pelo rumor de suas correntes de cristal.
Na angra da baía, ao pé de ilhas de pedra pomes,
E via em sonho velhas torres e palácios
No dia mais intenso da onda estremecerem,
Recobertos de musgo azul e de tão doce
Flores, que desmaiamos ao pensarmos nelas!
Tu, a cuja passagem se abrem em abismos
As planície atlânticas, enquanto embaixo
As flores submarinas e os limosos caules
De folhagem sem seiva a voz te reconhecem
E de repente empalidecem de pavor
E tremem e despojam-se de todo: oh escuta!
IV
Se eu fosse alguma folha morta, que levasses;
Se eu fosse a nuvem célere a voar contigo;
Uma onda ofegante sob o teu poder
E partilhando o impulso dessa tua força,
Só menos livre que tu, ó indomável!
Se eu fosse igual ao que já fui na meninice,
O companheiro dessas fugas pelo céu,
Quando vencer tua celeste rapidez
Em nada parecia um sonho; eu não teria
Lutado assim contigo, a suplicar aflito.
Como seu eu fosse onda, nuvem, folha, oh ergue-me!
Nos espinhos da vida eu caio! Estou sangrando!
Um grave fardo de horas encadeou e verga
Alguém igual a ti:rápido, altivo, indômito.
V
Tua lira é a floresta, e que eu também o seja;
Se como as dela as minhas folhas caem, que importa!
O tumulto de tuas fortes harmonias
Tirará de nós dois profundo som de outono,
Doce mas triste. Faze-te bravio espírito,
O meu espírito! Ó impetuoso, sê eu próprio!
Leva meus pensamentos mortos pelo mundo,
Quais folhas murchas, e haverá um renascimento!
E, pela força encantatória destes versos,
Espalha a minha voz por entre a humanidade,
Como cinzas e chspas de lareira acesa!
Para a terra que dorme, sê, com estes lábios,
Oh! a trombeta de uma profecia! Vento,
Se chega o inverno, estará longe a primavera?
Percy Shelley
Ah, para combinar com o clima melancólico resolvi colocar aqui o clipe de The Crystal Ship, do Doors... Pois, para mim, Outono e The Doors são duas coisas sagradas e preciosas e The Crystal Ship é, com certeza, uma das minhas músicas favoritas, dentre todas que já ouvi...
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03 abril 2010
Sobre o esquecimento

ESSE GRANDE SIMULACRO
Cada vez que nos dão lições de amnésia
como se nunca houvesse existido
os ardentes olhos da alma
ou os lábios da pena órfã
cada vez que nos dão aulas de amnésia
e nos obrigam a apagar
a embriaguez do sofrimento
convenço-me de que meu território
não é a ribalta de outros
Em meu território há martírios de ausência
resíduos de sucessos / subúrbios enlutados
mas também singelezas de rosa
pianos que arrancam lágrimas
cadáveres que ainda olham de seus hortos
lembranças imóveis em um poço de colheitas
sentimentos insuportavelmente atuais
que se negam a morrer no escuro
O esquecimento está tão cheio de memória
que às vezes não cabem as lembranças
e rancores precisam ser jogados pela borda
no fundo o esquecimento é um grande simulacro
ninguém sabe nem pode / ainda que queira / esquecer
um grande simulacro abarrotado de fantasmas
esses romeiros que peregrinam pelo esquecimento
como se fosse o caminho de santiago
o dia ou a noite em que o esquecimento estale
exploda em pedaços ou crepite /
as lembranças atrozes e as de maravilhamento
quebrarão as tranças de fogo
arrastarão afinal a verdade pelo mundo
e essa verdade será a de que não há esquecimento
Mario Benedetti
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