07 junho 2008

Caminhos


Magia

Magia é o que faz voltar
Contra quem desejou o que de mal me desejam
O olho refletindo que vem contra mim
Os magos todos louvados sejam
No dia em que olhei pro mar
E alguém revelou que lá no fundo latejam
Os corações meninos de cem querubins
Que o fundo desse lago azulejam

Dá-me Brasília a calma
Que hoje Madalena precisa em mim
Me encha de luz a alma
Que o vento da alegria responda que sim

Dá-me Brasília a calma
Que hoje Madalena precisa em mim
Me encha de luz a alma
Que o vento da alegria responda
Que o vento da alegria responda depressa
Que o vento da alegria responda depressa que sim


Oswaldo Montenegro

Pois é né
Eu sou meio avoada, me perco em mim mesma muitas vezes, me distraio muito fácil
Passei a semana inteira me matando para fazer meu memorial para entregar este sábado
Imaginem qual não foi a minha surpresa ao chegar à faculdade e descobrir que não tinha aula...
rs
Tem vezes que acho que certas coisas realmente só acontecem comigo
Tomo ônibus errado, molho a cozinha toda lavando louça pq me distraio, nunca consigo descobrir o que há de diferentes nas pessoas, nunca consigo lembrar de datas que as pessoas consideram importantes, não consigo reconhecer pessoas que as vezes eu conheço nos rocks - mas ai é querer demais tbm né
Enfim, comecei a me perder muito cedo
Acho que foi quando ganhei uma planta na feira do verde e comecei a passar as minhas tardes conversando com ela
Ou talvez tenha sido sempre assim
Transformava meu estojo de madeira da faber castel em um castelo em que as canetas eram o rei e a rainha e os giz de cera eram os súditos
Depois vieram os livros e os ídolos da adolescência
Se não querem se perder nunca comecem a ler Drummond e Cecília Meireles aos 10 anos, nem Roberto Drummond aos 12, nem Thomas Morus e Erasmo de Roterdã aos 15, nem Aldous Huxley aos 16
Nunca ganhem uma planta na feira do verde, muito menos comecem a conversar com ela
Não ouçam músicas que hipnotizam
Nunca vá a nenhum lugar frequentado por pessoas que se vestem de maneira nada convencional
Não comecem uma banda
Não sejam romãnticos em sentido algum
Não passe tempo demais no próprio quarto
Evitem ao máximo sairem sozinhos
E ao final acrescente gelo e limão

Paço do Rosário

Beira de rio paço do rosário se avista ao longe
As ruas tortas vão se desenhando pelo arraial
Beira de rio paço do rosário limitando a agreste
Sua janela, velha doca de barrica e pau
Água barrenta rolando sem pressa consumindo a terra
O pôr-do-sol avermelhado paço do rosário
Na velha igreja já são 6 da tarde
O povo reza o terço ave maria, mãe do céu - cruz credo!
Quem me mata é deus...
Murmúrio lento, como prece aflita, vai descendo o rio
Acompanhando o dia que se vai buscando o anoitecer
E anoitecendo, paço do rosário, quase silencia
A velha estátua caída na praça, mais um dia
Velha rameira deixa a vela acesa por virgem maria
Ave maria, mãe do céu - crus credo!
Quem me mata é deus


Oswaldo Montenegro

Quebra Cabeça Sem Luz

É na clareza da mente
Que explode a procura do novo processo
E o que é meu direito eu exijo e não peço
Com a intensidade de quem quer viver
E optar: ir ou não por ali
A nossa primeira antena é a palavra
Que amplia a verdade que assusta
E a gente repete que quer mais não busca
E de um modo abstrato se ilude que fez
Mas qualquer dia vai ter que ficar definido o caminho
É mais louco do que já supôs a tal sabedoria
Magia que eu hoje procuro entender
Pra que o corpo supere a fadiga
Você o que pensa do assunto
Se a gente se encontra mas nunca tá junto
Vivendo esse quebra cabeça sem luz
Pra não ficar dividida
Minha mente estabeleci combinado faria
Dizer pondo um pouco de mate
Gelhá de fazer como os loucos
Falando aos tropeços (perdão rita lee)
Pra que a gente se entenda algum dia
Há de ser como o louco quixote
E a lógica insiste em guardar no seu pote
A mais linda palavra que eu ia dizer.
Mas qualquer dia você
Vai me ver disfarçar (há) de fazer como eu
Que disfarço na tal fantasia a magia
E só me fantasio do que venha ser
E o que se espera da minha cabeça
Há de ser invertido
E a sonata que eu já compus
Virou rock/quem roubou minha loucura fui eu
E agora devolvi


Oswaldo Montenegro

03 junho 2008

Nem Pink Floyd Explica


Peace Will Come

There's a chance peace will come in your life please buy one

For sometimes when I am feeling as big as the land
With the velvet hill in the small of my back
And my hands are playing the sand

And my feet are swimming in all of the waters
All of the rivers are givers to the ocean
According to plan, according to man

Well sometimes when I am feeling so grand
And I become the world
And the world becomes a man

And my song becomes a part of the river
I cry out to keep me just the way I am
According to plan

According to man, according to plan
According to man, according to plan

For sometimes when we have reached the end
With the velvet hill in the small of my backs
And our hands are clutching the sand

Will our blood become a part of the river
All of the rivers are givers to the ocean
According to plan, according to man

There's a chance peace will come
In your life please buy one.

Melanie Safka

Bem, parece que este blog virou mesmo um diário virtual né. Então prosseguirei assim. Mas vejam bem, as poesias e letras de músicas que coloco aqui sempre estão relacionadas ao que digo.
Esse fim de semana foi ótimo. A banda de um amigo meu voltou a tocar, no sábado fui com a Tati (infelizmente ela não consegue me acompanhar, rs) ao Pantera e depois fui na feira ecológica ver Pena Branca e Moxuara - o que foi ótimo, conheci pessoas legais, dancei, me diverti demais -, e para começar esta semana cheia de energia no domingo fui a um lugar chamado Piapitangui - próximo a Roda D'água - e conheci pessoas maravilhosas que me acolheram com todo carinho e me proporcionaram um dia perfeito. O lugar é simples, bem interior mesmo e é lindo demais!!!! Dá até para ver o Moxuara.
Espero que meus finais que já eram ótimos continuem ficando cada vez melhores.
E agora me voy porque tenho muito o que fazer. Com curso de informática, curso de Pedagogia de Projetos, revisão de livro pra finalizar, memorial para entregar no sábado e aniversário de amiga amanhã eu to lascada. rs Vamo que vamo!

Livro das Perguntas

Tem coisa mais boba na vida
que chamar-se Pablo Neruda?

Que vim fazer neste planeta?
A quem dirijo esta pergunta?

E que importância tenho eu
no tribunal do esquecimento?

Não era verdade que Deus
vivia no mundo da lua?

Minha poesia desgarrada
abr'olhos com estes olhos meus?

Por que me picam as pulgas e os
sargentos da literatura?

Que dirão da minha poesia
os que não tocaram meu sangue?

Posso perguntar ao meu livro
se eu mesmo o escrevi? Desde quando?

Por que nas épocas obscuras
se escreve com uma tinta extinta?

E por que detesto as cidades
com cheiro de mulher e urina?

Quem devorou rente aos meus olhos
um tubarão cheio de pústulas?

Por que andam as ondas me indagando
sobre as mesmíssimas perguntas?

Por que não nasci misterioso?
Por que cresci sem companhia?

Das tais virtudes que esqueci
dá pra fazer um terno novo?

Onde está o menino que fui:
anda comigo ou evaporou-se?

Sabe que nunca fui com ele
nem ele comigo tampouco?

Por que estivemos tanto tempo
crescendo para essa ruptura?

Quando minha infância se foi
por que nós dois não fomos junto?

Ainda ontem disse aos meus olhos:
quando de novo nos veremos?

Não é melhor nunca que tarde
dentro de listões amarelos?

Em que janela me quedei
em busca do tempo, se pulcro?

Ou o que diviso destes ermos
ainda não passa de futuro?

Que me esperava em Ilha Negra:
verdades verdes? compostura?

Se morri e não me dei conta
morto, a'hora, a quem me pergunto?

Quem me mandou desvencilhar-me
das portas do meu amor-próprio?

É verdade que um condor negro
sobrevoa minha pátria noite?

Que há de pesar mais na cintura:
padecimentos? memórias?

Que deu em mim de transmigrar
se vivem no Chile meus ossos?

Por que me movo sem querer?
Por que estou sempre desinquieto?

E se minh'alma desabou
por que meu esqueleto prossegue?

Por que vou girando sem rodas
e voando sem asas nem penas?

Por que minha roupa desbotada
se agita como uma bandeira?

30 maio 2008

O ser humano é realmente engraçado



Não acredito numa felicidade plena que é alcançada em determinado momento. Creio numa felicidade que lutamos para conquistar a cada dia. Ninguém vive de um único sentimento. A felicidade é conquistada - conforme a nossa vontade e o jeito como encaramos tudo ao nosso redor - a cada segundo em que estamos vivos.
Claro que cada um tem sua própria opinião sobre isto. E é claro também que nossas opiniões mudam ao longo da nossa trajetória. E muito mais claro ainda que as discussões são saudáveis e importantes.
E quer saber? Que mal há em prazeres momentâneos? Não da pra ser hedonista o tempo todo (quer dizer, algumas pessoas conseguem) mas de vez em quando é preciso e é muito bom. Eu, por exemplo, não confundo as coisas.
Achamos que sabemos o que se passa com o outro e achamos fácil julgar e apontar os erros - eu não me excluo disto.

Eu sou complexa e paradoxal, pois como qualquer um, sou tudo e nada ao mesmo tempo e o tempo todo. Para me entender não é preciso saber de filosofia, de literatura, de artes, ou de psicologia. Para me entender é preciso saber de flores, de sol, de lua, de outono e de primavera, e de mar. É preciso saber escutar a música que o mundo produz e saber cantar para o desconhecido.

O Amor é uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior...!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.

Alberto Caeiro

XVIII

Para tua fome

Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro

E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que persegues.

Para tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.

E abriria em mim mesma
Uma nova ferida

Para tua vida.

Hilda Hilst

IV

Tenho pedido a Deus, e à lua, ontem
Hoje, a cada noite, PERPETUIDADE
Desde o instante em que me soube tua.
E que o luar e o divino perdoassem
O meu rosto anterior, rosto-menino
Travestido de aroma, despudor contente
De sua brevidade em tudo, nos afetos
No fingido amor
Porque fui tudo isso, bruxa, duende
Desengano e desgosto quase sempre.

Mais nada pedi a Deus. Mas pedi mais
À lua: que tu sofresses tanto quanto eu.

Hilda Hilst

V

Nós dois passamos. E os amigos
E toda minha seiva, meu suplício
De jamais te ver, teu desamor também
Há de passar. Sou apenas poeta

E tu, lúcido, fazedor de palavra,
Inconsentido, nítido

Nós dois passamos porque assim é sempre.
E singular e raro este tempo inventivo
Circundando a palavra. Trevo escuro

Desmemoriado, coincidido e ardente
No meu tempo de vida tão maduro.

Hilda Hilst

VII

Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo

Também isso te devo.

Hilda Hilst

VIII

De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura

Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.

Livro-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me dêem

A enorme incoerência
De desamor, amando. Este lembrando

- Fazedor de desgosto -
Que eu te esuqeça.

Hilda Hilst

28 maio 2008

Ressaca do feriado


Bom o feriado foi ótimo, o início da semana também mas claro que o feriadão prolongado deixou suas marcas
Eu não sou diferente de ninguém, então para mim o feriado também foi sinônimo de
exagero. Roquear todos os dias foi legal mas ferrou com a minha imunidade de vez - e olha que ela já é bem ruinzinha - e me rendeu um belo de um resfriado, minha sinusite atacou, minhas costas também não estão muito boas. Enfim, coisas corriqueiras.
E o lado bom de estar enclausurada em casa desde sábado é que eu adiantei a revisão que estou fazendo do livro de um amigo meu - tem sido o máximo, nunca revisei poemas antes. Já fiz análise mas revisão é outro esquema.
Ah outra coisa, agora já não posso dizer que este blog ninguém conhece pois eu já o divulguei em uma comunidade e hoje o divulgarei em outra.
Para todos que entrarem aqui eu desejo um ótimo dia. Agora vamos ao que interessa. Hoje no cardápio vocês só terão Neruda e em espanhol. Sinto muito. Mas isto se deve ao fato de que na língua original a poesia ganha novos significados.



LA LÁMPARA EN LA TIERRA
AMOR AMÉRICA (1400)

ANTES de la peluca y la casaca
fueron los ríos, ríos arteriales:
fueron las cordilleras, en cuya onda raída
el cóndor o la nieve parecían inmóviles:
fue la humedad y la espesura, el trueno
sin nombre todavía, las pampas planetarias.

El hombre tierra fue, vasija, párpado
del barro trémulo, forma de la arcilla,
fue cántaro caribe, piedra chibcha,
copa imperial o sílice araucana.
Tierno y sangriento fue, pero en la empuñadura
de su arma de cristal humedecido,
las iniciales de la tierra estaban
escritas.
Nadie pudo
recordarlas después: el viento
las olvidó, el idioma del agua
fue enterrado, las claves se perdieron
o se inundaron de silencio o sangre.

No se perdió la vida, hermanos pastorales.
Pero como una rosa salvaje
cayó una gota roja en la espesura
y se apagó una lámpara de tierra.

Yo estoy aquí para contar la historia.
Desde la paz del búfalo
hasta las azotadas arenas
de la tierra final, en las espumas
acumuladas de la luz antártica,
y por las madrigueras despeñadas
de la sombría paz venezolana,
te busqué, padre mío,
joven guerrero de tiniebla y cobre
oh tú, planta nupcial, cabellera indomable,
madre caimán, metálica paloma.

Yo, incásico del légamo,
toqué la piedra y dije:
Quién
me espera? Y apreté la mano
sobre un puñado de cristal vacío.
Pero anduve entre flores zapotecas
y dulce era la luz como un venado,
y era la sombra como un párpado verde.

Tierra mía sin nombre, sin América,
estambre equinoccial, lanza de púrpura,
tu aroma me trepó por las raíces
hasta la copa que bebía, hasta la más delgada
palabra aún no nacida de mi boca.

XII

SUBE a nacer conmigo, hermano.

Dame la mano desde la profunda
zona de tu dolor diseminado.
No volverás del fondo de las rocas.
No volverás del tiempo subterráneo.
No volverá tu voz endurecida.
No volverán tus ojos taladrados.
Mírame desde el fondo de la tierra,
labrador, tejedor, pastor callado:
domador de guanacos tutelares:
albañil del andamio desafiado:
aguador de las lágrimas andinas:
joyero de los dedos machacados:
agricultor temblando en la semilla:
alfarero en tu greda derramado:
traed a la copa de esta nueva vida
vuestros viejos dolores enterrados.
Mostradme vuestra sangre y vuestro surco,
decidme: aquí fui castigado,
porque la joya no brilló o la tierra
no entregó a tiempo la piedra o el grano:
señaladme la piedra en que caísteis
y la madera en que os crucificaron,
encendedme los viejos pedernales,
las viejas lámparas, los látigos pegados
a través de los siglos en las llagas
y las hachas de brillo ensangrentado.
Yo vengo a hablar por vuestra boca muerta.

A través de la tierra juntad todos
los silenciosos labios derramados
y desde el fondo habladme toda esta larga noche
como si yo estuviera con vosotros anclado,
contadme todo, cadena a cadena,
eslabón a eslabón, y paso a paso,
afilad los cuchillos que guardasteis,
ponedlos en mi pecho y en mi mano,
como un río de rayos amarillos,
como un río de tigres enterrados,
y dejadme llorar, horas, días, años,
edades ciegas, siglos estelares.

Dadme el silencio, el agua, la esperanza.

Dadme la lucha, el hierro, los volcanes.

Apegadme los cuerpos como imanes.

Acudid a mis venas y a mi boca.

Hablad por mis palabras y mi sangre.

XVIII

AMÉRICA NO INVOCO TU NOMBRE EN VANO

AMÉRICA, no invoco tu nombre en vano.
Cuando sujeto al corazón la espada,
cuando aguanto en el alma la gotera,
cuando por las ventanas
un nuevo día tuyo me penetra,
soy y estoy en la luz que me produce,
vivo en la sombra que me determina,
duermo y despierto en tu esencial aurora:
dulce como las uvas, y terrible,
conductor del azúcar y el castigo,
empapado en esperma de tu especie,
amamantado en sangre de tu herencia.

XLV

Não estejas longe mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.

Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem-amada,

porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.

21 maio 2008

Feriado



Feriado

Feriado, comemore (2x)

Se nós tirássemos uma folga
Tirássemos um dia para comemorar
Só um dia da vida, seria
Seria tão legal

Todo mundo espalhando a notícia
Nós vamos fazer uma comemoração
Pelo mundo inteiro em todas as nações
É hora dos bons momentos
Esqueça os maus momentos oh yeah
Um dia para nos unirmos
Para aliviar a pressão
Nós precisamos de uma folga

Se nós tirássemos uma folga
Tirássemos um dia para comemorar
Vamos lá, vamos comemorar
Só um dia da vida, feriado
Seria, seria tão legal

Se tirássemos uma folga oh yeah oh yeah
Tirássemos um dia para comemorar
Vamos lá, vamos comemorar
Só um dia na vida
(Só um dia na vida)
Seria, seria tão legal

Você pode mudar este mundo
E trazer de voltas aqueles dias felizes
Acabe com seus problemas
É hora de comemorar
Deixe o amor brilhar e encontraremos
Um jeito de nos unirmos
E fazer as coisas melhor
Precisamos de uma folga

Se nós tirássemos uma folga
Tirássemos um dia para comemorar
Vamos lá, vamos comemorar
Só um dia da vida
(só um dia da vida)
Seria, seria tão legal
Oh yeah, oh yeah
Vamos lá, vamos comemorar
Nós precisamos nos unir

Madonna


HOJE COMEÇA O FERIADO
PARA MIM AS COMEMORAÇÕES COMEÇARAM ONTEM
Tive muita sorte, não posso negar, por que quando conheci uma pessoa muito especial para mim, além de ganhar um amigo, um companheiro, o meu amadíssimo, ganhei a linda família dele de presente, veio tudo no pacote.


Ele se foi para um lugar distante, não morreu, rs, mas está aqui perto de todos nós... e me deixou uma família que sempre me acolhe e a mãe maravilhosa que ele tem.
O amor se manifesta de maneiras muito distintas e posso dizer que esta é uma delas... nunca precisaremos ficar juntos, não das formas tradicionais, por que de uma certa forma nós estamos sempre juntos e nosso sentimento só fica maior... é o tipo de sentimento que não permite classificação, somos felizes juntos e separados e sabendo sempre que podemos contar um com o outro.



Mas não foi sobre isto que vim falar aqui, e sim sobre o feriado. Que começou muitíssimo bem na companhia de uma pessoa querida e na casa de uma das pessoas que eu mais quero bem na vida.


O feriado, então, começou divinamente bem.
Estou em paz, feliz e com a certeza de sempre: estes sentimentos são os que duram.
Beijão a todos e que todos tenham um ótimo feriado, cheio de amor e felicidades e pessoas como esta que são tão importantes.


E viva o rock'n'roll e os amigos que sempre são ótimas companhias e conseguem ser engraçados até quando estão mal humorados.



P.S.: PARA QUEM NÃO PERCEBEU AS FOTOS NADA TEM EM COMUM COM TEXTO. QUER DIZER ALGUMAS ATÉ LEMBRAM COISAS DE FERIADO.

11 maio 2008

Pensamentos


Pensando em nomes de países com a letra d, excluindo a dinamarca
em nomes de bichos com a letra m, excluindo macaco
em uma companhia, excluindo o ex
em filmes, desde que não sejam os q eu tenho em casa
em comidas que não estão na minha geladeira
em cappuccino gelado
acarajé
licor de whiskey
em nada
na minha caneta lilás purpurinada de gel que eu não sei onde coloquei
num livrinho que eu lia muito quando era criança, a coleção da serafina
no De Noite, um gatinho preto
em fazer algo muito legal mas amanhã é segunda e eu estou em Vitória o que me garante nada para fazer
no meu desânimo
no meu tédio
na minha webcam q eu acho muito engraçada e esquisita
na lagarta listada do manuel bandeira
numa fantasia de abelhinha para próxima festa a fantasia, mas eu nunca vou fantasiada
em respostas para algumas questões do livro das perguntas do neruda
na aula que eu darei amanhã
fotos novas
palavras cruzadas
moqueca de robalo
vaso vazio
em suicídio, não pra mim pq eu não tenho esses pensamentos em relação a mim mas eu penso em pessoas que cometem suicídio
que eu preciso emagrecer
fazer hidratação no cabelo
deixar as unhas crescerem, talvez eu até coloque unhas postiças para me empedir de comer as originais e permitir que elas cresçam
parar de futucar as unhas dos pés
ir ao cinema
me inscrever em alguns concursos
estudar poker
comprar outra caneta lilás purpurinada de gel
em pq eu gosto tanto de filmes com Hugh Grant
Que Hugh Grant é o homem mais esquisito que eu já vi, pq as vezes ele é bonitinho, normalmente de longe, mas ele tem os olhos caídos e o perfil é horrível
huuuuuuummmmmmmm John Travolta em Michael Anjo e Sedutor, será q é esse mesmo o nome do filme?
em quando eu conseguirei ter um relacionamento de verdade
que eu preciso ver o sol nascer, o outono finalmente chegou aqui e eu adoro ver o nascer e o pôr-do-sol no outono
mas eu nunca tenho ninguém para ver comigo
tango
que eu gostaria de ver empire records
onde foi q eu coloquei meu cd com a discografia do cartola, da janis, do chico
vou ver tv e não publicarei isto agora porque eu estou com preguiça de procurar imagens

06 maio 2008

Não há nada mais bonito que estudar


Essas épocas de sofrimento são as melhores para os estudos, nossa cada descoberta é um novo alívio da dor, é como um analgésico que vai se potencializando.
Nossa como as coisas mudam quando mudamos de ambiente. Foi só sair de casa para fazer algo produtivo que meu ânimo voltou. Agora tenho várias coisas para fazer e sobre as quais pensar e vários eventos legais e longe de casa e com muita gente nova surgiram.

Então o que fazer co o sofrimento? Transformá-lo em energia intelectual ou profissional ou os dois!!!

05 maio 2008

Maybe I'm Lonely Girl



O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.


Pablo Neruda



Posso escrever os versos mais tristes esta noite

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


Pablo Neruda






Poema LXVI

Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
te odeio sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.


Pablo Neruda



A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.


Pablo Neruda

04 maio 2008

Dor de Cotovelo


XIII

Túlio: há plavras escuras,
Guardadas, duros ramos
Dentro das arcas. Roxura
Por exemplo. É ânsia.
Convém lembrá-las
Porque me faço mordente
Nesta minha armadura,
Soberbosa, cansada
Do teu silêncio
E do laivoso das gentes.
Há palavras escuras.
Hederoso, por exemplo.
É abundante de heras.
Habena, que é chicote.
E há uma palavra rara
Em milenar repouso
No teu peito duro.
Convém lembrá-la, Túlio.
Do amor é que te falo.

Acorda a tua palavra.
Usa o chicote
Antes que eu me faça escura.


Hilda Hilst


XV

Amada vida: a dádiva de ser, de úlio
A única paisagem, inumerável, única a seus olhos,
É o que pede o poeta à amada vida. Que importa
A Túlio o contemplar os frutos, romãs, ou mesmo
Rosas, se por amor a ele me transmuto, e posso
A um tempo só, ser flor e fruto, e além do mais
Poeta, prodigiosa?
Que importa a Túlio o mergulhar nas águas
Se por amor a ele, maré alta e praia
A cada dia me faço, dadivosa? Que importa ao amado
O deslizar das horas, o passo nos caminhos,
O olhar diante do Tempo, umas duras planícies,
E bulbos e romãs e rosas fenecendo
Se por amor a ele, me faço amor e morte?


Hilda Hilst

Eu aqui



VII
Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navio,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo

Também isso te devo.

Hilda Hilst

30 abril 2008

Recuperada


Certas diferenças são intransponivéis. É essa a verdade.
Eu não tenho saco pra sofrimento. É muito chato sofrer. Rs
O importante é botar a cabeça em ordem, respirar fundo e seguir com calma e esperança de que ainda existam pessoas legais no mundo para nos ajudar com a nossa carência. rsrsrs
Continuo firme e forte no meu intento de ter um 2008 pra lá de romântico. Se eu terei não sei. Mas lutarei até o fim. Sem espadas nem botas de guerra porque neste caso as minhas armas precisam ser outras.
A batalha prossegue e vou seguindo as estradas que ela trilha para mim.

GAROTA DE OUTONO

GAROTA DE OUTONO