
Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar. Lya Luft
22 agosto 2007
Ainda sobre ser ilha

18 agosto 2007
A ilha que chora
Eu sou uma ilha que
chora!
Simon e Garfunkel disseram há algum tempo I am a rock I am an island
And a
rock feels no pain And an island never cries!
Impossível né?
É bom ser
uma rocha e é bom ser uma ilha desde
que a dureza não nos tire a ternura -
lembrando do Che -
e a solidão n ão nos isole nem aliene - lembrando de tantos
personagens reais e imaginários.
Sou uma ilha que chora tanto quanto
sorri e
uma rocha que sofre tanto quanto se
alegra!
08 agosto 2007
SOZINHO

Só
Vontade de ser sozinho, sem brilho do que passou
A taça do mesmo vinho, sem brinde mais por favor
Não é que eu não tenha amigos não, não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome no que acabou
Vontade de ser sozinho, mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho, pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu agora é flauta de Pã
Hoje é preciso a solidão, Com a benção do Deus tupã
Ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou
A flecha que passa rente, cantor implorando um bis
O cara que sempre mente, a feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu, a letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão mas dá pra se ser feliz
E a quem perguntar....
E todo mundo é sozinho, e ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho, soldado com capitão
E resta quem está sem seu amor, amar sua solidão
Hoje é preciso o uivo de um lobo na escuridão
Oswaldo Montenegro

O eu-lírico não me parece muito satisfeito com a essa solidão... mas eu o invejo... eu preciso dessa solidão... eu tenho necessidade constante de estar só... e não tenho consigo suprir minha vontade com solidão suficiente a faça sanar!

Talvez por que esse desejo de estar só nem que seja apenas por algumas horas durante o dia seja constante... ele é diário. Nem sei quando foi que ele começou mas sei que ele nunca mais foi embora. Eu só queria um espaço só meu... meu próprio jardim secreto!!!!

Como é difícil alcançar o silêncio!
28 julho 2007
A MINHA CELEBRAÇÃO

Está acabando juntamente com mês de julho a celebração do Rei Lagarto. E agora uma nova começa, a minha. Deixa-se a celebração da morte e começa-se a celebração da vida.
De uma vida nova, renovada e sempre sempre muito conturbada, celebrada, sofrida, surpreendente, brilhante... Uma vida cheia de amor, inundada de sentimento!
Uma vida renovada, repleta de responsabilidades e cobranças.
Uma vida de todas as fases... a infância, a adolescência, a juventude, a maturidade, a velhice. Várias versões que se alternam e completam.

Agradeço pela vida cheia de obstáculos - que eu nem sempre soube reconhecer como positivos, e nem garanto que agora eu saiba -, de amigos maravilhosos, de músicas e momentos inesquecíveis, de alguns amores idealizados ou realizados, de inúmeras paixões, de conflitos, de perdas, de atividade!

Não posso reclamar de nada, nem do que perdi por medo, impaciência, preguiça ou qualquer outro motivo. Não posso nem devo, principalmente por que o passado foi do jeito que deveria ter sido assim, como tudo no universo!Só se pode tentar mudar o futuro e é isso que faço, pego o que há de ruim e vou mudando aos poucos, no meu próprio ritmo!
Cigana (Oswaldo Montenegro)
Eu me vesti de cigana pra cantar o sol
Fiz comício e deu cana pra cantar o sol
Ah, que riso bacana pra cantar o sol
Virtuosa e profana pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo o amor que emanar, pra cantar o sol
Fui quem se dava e se dana pra cantar o sol
Quem se empolga e cigana pra cantar o sol
Quem teu hálito abana pra cantar o sol
Quem não mente, te engana pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo o amor que emanar, pra cantar o sol
Fiz do meu corpo cabana pra cantar o sol
Fiz de uma ano semana pra cantar o sol
Fiz do amor porcelana pra cantar o sol
Fui cigarra e cigana pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo o amor que emanar, pra cantar o sol
Fui tua mão que te esgana pra cantar o sol
O que o brilho não empana pra cantar o sol
Meu amor tinha gana de cantar o sol
Virgem santa e sacana
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol
15 julho 2007
UM PENSAMENTO APENAS ... A CELEBRAÇÃO CONTINUA
CERTAS COISAS PARECEM TÃO INSUPORTÁVEIS E MESMO ASSIM PASSAMOS POR ELAS. NÃO ENTENDO COMO NEM POR QUÊ, MAS PASSAMOS.
HÁ UMA BELEZA ESTRANHA NA VIDA, HÁ UMA BELEZA ESTRANHA EM QUERER CONTINUAR VIVO - NÃO VIVO APENAS, MAS VIVENDO DE VERDADE.

HÁ UMA FORÇA QUSE INCOMPREENSÍVEL QUE NOS MOVE.

PALVRAS NUNCA CONSEGUIRÃO EXPLICAR ESSE TIPO DE COISA - ACHO QUE ESSA É A MAIOR DÁDIVA QUE NOS CONCEDERAM.
07 julho 2007
CELEBRAÇÃO DO REI LAGARTO


grandes paixões,

grandes sonhos, grandes tentativas de escrever - fracassadas mas grandes -, um verdadeiro incentivo a catarse, a extravagância, a vida, ao hedonismo.

É muita responsabilidade para um ídolo... mas eu atribuo a ele os prazeres, os fracassos, as diversões, a loucura nos shows da minha extinta banda- que musicalmente não tinha nada a ver com the doors -, o amor pelo rock'n'roll. É muito melhor do que responsabilidade, é mais uma homenagem! E nesse mês como se comemora o aniversário de morte dele, nada melhor que uma mês inteiro de homenagens a ele.

E só para não passar em branco, além de tudo isso ele tem a voz que me hipnotiza quando unida a música dos Doors e é um dos caras mais bonitos que eu já vi!
20 junho 2007
HOMENAGEM
A ESSA PESSOA E A TODA A FAMÍLIA EU DEDICO ESSAS MANIFESTAÇÕES DE CULTURA POPULAR, CAIPIRA, DE RAIZ!!!
O QUE ACABA SENDO TAMBÉM UMA HOMENAGEM A TODOS NÓS E AÓ QUE TEMOS DE MAIS GENUÍNO...
VIVA ESSA PESSOA, NOSSO FOLCLORE, NOSSO RICO TERRITÓRIO!

UMA CANTIGA
ALECRIM
Alecrim,alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado
Alecrim,alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado
Foi meu amor
que me disse assim
que a flor do campo
é era o alecrim
Foi meu amor
que me disse assim
que a flor do campo
é era o alecrim

UMA MÚSICA QUE CONTA UMA HISTÓRIA POPULAR
Tocando em frente
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe eu só levo a certeza de que muito
pouco eu sei
Nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pára poder sorrir
É preciso chuva para poder florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha, ir tocando em frente.
Por um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
Estrada eu sou.
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora, um dia a gente chega.
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz...
Renato Teixeira
UMA CANÇÃO MUITO FOLK
FROM UNITED STATES OF PIAUÍ
Unite States of...
Unite States of...
Unite States of...
... of Piauí
A minha prima lá do Piauí
Deixou de fazer renda só pra ver novela
A minha prima lá do Piauí
Não bebe mais garapa: vai de coca-cola
Luz de Candeeiro não se usa mais
Luz artificial substitui o gás
Calça de couro, alvorada e brim
Deram o seu lugar pra uma tal calça lee
A minha prima escreveu pra mim
E não fala "venha cá", só fala "come here"
Vou mandar minha resposta breve
Para United States of Piauí
Luiz Gonzaga
http://www.musicagaucha.com/ouvir-musica-gaucha-online/
16 junho 2007
O MEU PASSADO É A DAMA DO LUGAR COMUM

O passado persegue quando a única coisa que se deseja é ser livre para seguir e não pensar mais nele...
Realmente ele já não faz diferença - na maioria das vezes - e é ele que não consegue se livrar da gente!
Meu ano está quase começando e eu faço um pedido por antecipação:
PASSADO ME DEIXE VOAR!
Ir para bem longe da sua chatice, da sua mesmice... o que tem de bom guarde... talvez um dia eu venha a precisar!
Era como anúncio de shampoo
Só me resta dançar um tango argentino!!!!
09 junho 2007
EROS E TÂNATOS
O QUE NÃO REMÉDIO, REMEDIADO ESTÁ!!!!!!
ALGUMAS COISAS NA VIDA, QUASE TODAS ELAS, SÃO INEVITÁVEIS... AS PRINCIPAIS, NASCER E MORRER, O SÃO!!

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.
...............................................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
TRÁGICO NÉ? A ÚNICA COISA A FAZER DIANTE DA IMPOSSIBILIDADE DA VIDA FUTURA É CELEBRÁ-LA...

Apologia Tanguera
Tango rante que tenés
el alma de un cachetazo,
que vas llevando un hachazo
en la frente y lo escondés;
de la cabeza a los pies,
vestido de luto entero,
sos un símbolo canero
que va taconeando fuerte;
sos la Risa y sos la Muerte,
vestidas de milonguero.
Sos entre el camandulaje
un cacho de mala suerte;
sos el barbijo de muerte
que rubrica el sabalaje;
sos el alma del chusmaje
metida en un bandoneón;
sos la furca, la traición
y sos una flor de yuyo,
el piropo y el chamuyo
que perfuma el corazón.
Sos el lamento tristón,
que, amarrocando sentidos,
te metés por los oídos
y escarbás el corazón.
Sos el réquiem compadrón,
el que gimió allá en París;
con tu canyengue, me oís?,
vos fuiste el fiero remache
qui hizo temblar al apache
y llorar a las Mimís.
Tango lindo que se estira
en un bandola atorrante
y que sale agonizante
mientras se baila y se aspira...
Tango! Sos como una tira
de prepotencia y de mal;
sos lágrima y delantal,
sos velorio y cocaína,
y sos tristeza de mina
que se clava en un puñal
Letra de Enrique Cadícamo
Musica de Rosita Quiroga
"Toque o último compasso bem suave." Ana Pavlova
http://www.youtube.com/watch?v=q9EZnQCG6k8
06 junho 2007
SOBRE MIM, SOBRE ARIANO
Estava lendo uma entrevista da Caros Amigos com o Ariano Suassuna e me deparei com algo que não sabia... García Lorca (escritor que adoro) influênciou Ariano (que eu também adoro)!!!! Isso é besteira, concordo, mas é muito legal... fiquei muito feliz quando soube e como Ariano este mês comemora 80 anos - o que me deixa muito feliz pois sou besta de nascença - achei proveitoso colocar aqui um trecho da entrevista que é esse que está logo abaixo!!!

Marco Bahé - Quando você se sentiu escritor?
Escrevi esse primeiro conto, depois escrevi poemas. Aos 17 anos tentei escrever uma peça. Havia um médico de Taperoá, muito culto, chamado Abdias Campos, e ele tinha as peças de Ibsen. Me emprestou e me impressionei profundamente com as peças de Ibsen. Tentei escrever aos 17 anos uma peça sob influência de Ibsen. Mas, como você bem pode imaginar, havia uma diferença muito grande do menino sertanejo... porque o sertão tem muito pouca coisa em comum com a Noruega, não é? Então, não sei se por causa disso, não consegui terminar a peça.
Diana Moura - Não matou ninguém...
Não matei ninguém. Aí, continuei a escrever poemas e, aos 18 anos, no colégio, tive um professor de geografia que era interessado em literatura. Quando foi um dia, ele passou uma prova lá e eu não estava preparado... aí taquei literatura. Era uma prova sobre aspectos do relevo brasileiro. Eu falei sobre Drummond, Aleijadinho, falei o diabo, só não falei do relevo. Me lembro que tinha alguns nomes como o rio São Francisco, o rio Amazonas, Planalto Central e as coxilhas do Rio Grande do Sul... Então ele foi entregando as provas e disse: "Essa aqui eu deixei pro fim porque quero conhecer o autor, que pode não ser bom em geografia, mas gosta de literatura". Eu disse: "Fui eu". Aí ele pergunta se eu gosto de literatura e se escrevo. Aí eu digo: "Escrevo". "Escreve o quê?" "Escrevo poesia." Ele disse: "Me traga um poema". Aí, na aula seguinte eu levei. Ele pegou e disse: "Você pode me emprestar?" Eu digo: "Posso". Rapaz, ele me fez uma surpresa... que alegria! Quando foi no domingo, abri o Jornal do Commercio, estava publicado. Foi em 7 de outubro de 1945. A partir daí, passei a publicar lá. Aos 19 anos entrei para a Faculdade de Direito e conheci Hermilo Borba Filho, que exerceu uma influência muito grande em mim na parte de teatro. Ele leu meus poemas, que já eram ligados ao romanceiro popular do Nordeste, e disse: "Você precisa conhecer o teatro de García Lorca". E me colocou nas mãos o teatro de García Lorca. E esse, sim, desempenhou um papel muito importante na minha formação de escritor, porque a região que ele descrevia parecia com a minha, não é? Tinha cavalo, tinha boi, tinha cigano do mesmo jeito que Taperoá. Muito diferente da Noruega...

Cordel para Federico Garcia Lorca (trecho)
Gran poeta español
Vate extraordinário
Federico García Lorca
Criativo visionário
De inspiração divina:
Menestrel universário...
Federico García Lorca
Da província de Granada
Poeta multiluminado
Amante da madrugada
Filho de Federico Rodriguez
E de Vicenta: mãe amada...
Nasceu em Fuente Vaqueros
Era vate granadeiro
Em 1898:
Veio ao mundo por inteiro
Pra ser poeta do povo:
Criativo condoreiro...
Sofreu grave enfermidade
Aos dois anos de idade
Sobreviveu o menino
Pra ser ás da liberdade
Um cantador popular:
E amante da verdade...
Aprendeu primeiras letras
Com a sua mãe querida.
Mestre Antônio Espinosa
Inspirou a sua lida
Nos mistérios da leitura:
Lorca embarcou na vida...
São irmãos de Federico
Francisco, Conchita, Isabel
No Colégio de Almería
Estudou o menestrel
Venceu a enfermidade:
Registro aqui no cordel...
Mudou-se para Granada
Para melhor se preparar
Sagrado Coração de Jesus
Estruturou-se o pensar
Lorca buscou o saber:
Para na vida se elevar...
Ano 1914:
Universidade de Granada
Estudos e amizades
Dinamismo na jornada
Almagro, Burín, Montesinos:
Noite, dia, almadrugada...
Filosofia, Letras e Direito
Cursou na Universidade
Soriano, Barrios, Ortiz
Cultivaram lamizade
Cristobal, Guarnizo, Pizarro:
Paz, amor, fraternidade...
Ismael de La Serna:
Foi fraterno companheiro
Estudou guitarra/piano
Nosso vate condoreiro
Tem alma de cantador:
Espírito de guerrilheiro.
1916 - 1917
Sentiue o calor da musa
Vem os primeiros poemas
A transpiração bem usa
Lorca poeta gitano:
Bom poeta não se escusa...
Centro Artístico de Granada
Publica em seu Boletim
Centenário de Zorrilla
Lorca poeta serafim
Primeiro trabalho literário:
Lorca: princípio sem fim...
Fez viagens de estudos
Para várias regiões
Castela, Andaluzia
Galícia e seus rincões
Pela Espanha afora:
Fez cicunavegações...
El malefício de la mariposa
Estréia no Teatro Eslava
Direção de Gregorio Martinez
O poeta se burilava
Bailes de La Argentinita:
Federico se encantava...
Depois da marcha a Madrí
Amizade com Buñuel
Orueta e Pepín Bello
Lorca: ator-menestrel
Pensador e dramaturgo:
Na vertente do cordel...
Decorados de Mignoni
Figurinos de Barradas
Viagem pela Espanha
Muitos sonhos nas estradas
Zujaira, Granada, Madrí:
Transmutou-se nas jornadas...
Primeiro Libro de Poemas
Em El Sol é comentado
Por Adolfo Salazar
O livro é destacado
Análise de "Um Poeta Nuevo":
En un artículo titulado...
Roda, Alamagro, Marchesi
Maria Luísa e Gabriel
Emílio Prados, José Mora
Dedicação no papel
Cienfuegos e Ortiz:
Sem esquecer Buñuel...
Idos de 1921
Lorca fez publicação
Balada de la placeta
Poesia flui do coração
Poetas Espanhóis Contemporâneos:
Lorca em contestação...
Juan Ramón Jimenéz:
Textos de Lorca publicou
Em sua revista Índice
Juan a Lorca divulgou.
Noche e Suíte dos Espelhos:
Lorca ao povo apresentou...
El jardin de las morenas
Por Jiménez: destacado
Lorca escreve Canciones
É um canto de alto brado
O poeta granadeiro:
É um nome eternizado...
Publicou "El Cante Jondo"
Canto andaluz primitivo
Manoel Angeles, Manuel de Falla
Apoio ao Lorca sensitivo
Poema del cante jondo:
É um cancioneiro vivo...
"Fiesta para los ninos":
Por Federico preparada
Pelo amigo Manuel de Falla
A festa foi apoiada
Em 1923:
Lá na terra de Granada...
Cervantes e Strawinsky
Debussy e Rafael
Hermenegildo Lanz:
Mais Albéniz y Pedrell
Auto de los Reyes Magos:
Com Laurita e Isabel...
Licenciou-se em Direito
Na Universidade de Granada
Junto com Gullermo Torre
Conclui dura jornada
Federico García Lorca:
Constelação da alvorada...
Gustavo Dourado

http://www.brennand.com.br/brennand.php
http://www.unicap.br/armorial/
05 junho 2007
NATURALIDADE
As regras são sempre tão cruéis e nós mais cruéis ainda.
Nada é preciso, nada é necessário!!!!!

ESTRELAS
Há estrelas brancas, azuis, verdes, vermelhas.
Há estrelas-peixe, estrelas-piano, estrelas-meninas,
Estrelas-voadoras, estrelas-flores, estrelas-sabiás.
Há estrelas que vêem, que ouvem,
Outras surdas e cegas.
Há muito mais estrelas que máquinas, burgueses e operários:
Quase que só há estrelas.
Murilo Mendes
03 junho 2007
AUTOBIOGRAFIA

A MULHER SENTADA
MULHER. MULHER E POMBOS.
MULHER ENTRE SONHOS.
NUVENS NOS SEUS OLHOS?
NUVENS SOBRE SEUS CABELOS.
(A VISITA ESPERA NA SALA;
A NOTÍCIA, NO TELEFONE;
A MORTE CRESCE NA HORA;
A PRIMAVERA, ALÉM DA JANELA).
MULHER SENTADA. TRANQÜILA
NA SALA, COMO SE VOASSE.

A MULHER E A CASA
TUA SEDUÇÃO É MENOS
DE MULHER DO QUE DE CASA:
POIS VEM DE COMO É POR DENTRO
OU POR DETRÁS DA FACHADA.
MESMO QUANDO ELA POSSUI
TUA PLÁCIDA ELEGÂNCIA,
ESSE TEU REBOCO CLARO,
RISO FRANCO DE VARANDAS,
UMA CASA NÃO É NUNCA
SÓ PARA SER CONTEMPLADA;
MELHOR: SOMENTE POR DENTRO
É POSSÍVEL CONTEMPLÁ-LA.
SEDUZ PELO QUE É DENTRO,
OU SERÁ, QUANDO SE ABRA:
PELO QUE PODE SER DENTRO
DE SUAS PAREDES FECHADAS,
PELO QUE DENTRO FIZERAM
COM SEUS VAZIOS, COM O NADA;
PELOS ESPAÇOS DE DENTRO,
NÃO PELO QUE DENTRO GUARDA;
PELOS ESPAÇOS DE DENTRO:
SEUS RECINTOS, SUAS ÁREAS,
ORGANIZANDO-SE DENTROEM CORREDORES E SALAS,
OS QUAIS SUGERINDO AO HOMEM
ESTÂNCIAS ACONCHEGADAS,
PAREDES BEM REVESTIDAS
OU RECESSOS BONS DE CAVAS,
EXERCEM SOBRE ESSE HOMEM
EFEITO IGUAL AO QUE CAUSAS:
POR DENTRO DE VISITÁ-LA.
João Cabral
02 junho 2007
CONFISSÃO OUTONAL

Nunca vi céus tão lindos como os desse outono.
Não sei se é o outono ou se sou eu mas a cada dia uma tonalidade diferente me encanta no céu.
Acho que não sou eu nem o outono, são Neruda e Lorca impregnados em tudo!!
Crepúsculo de Outono
O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.
O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.
Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.
Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale...o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.
O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.
A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.
Manuel Bandeira



