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29 março 2013

Ausência

Uma amiga minha me ligou há algum tempo atrás preocupada comigo porque sabia que eu estava doente e, segundo ela, como eu nunca falo nada sobre mim mesma, ela ficou preocupada achando que talvez eu estivesse escondendo algo. Tudo isso porque sou reservada. Então eu disse que se estivesse acontecendo algo de grave eu diria e a resposta que eu ela me deu foi a seguinte: "Com você nunca dá pra saber o que está acontecendo de verdade, você guarda tudo pra você". Não tive como responder a isso pois é a mais pura verdade. Sendo assim, resolvi colocar aqui o poema do qual eu tirei o trecho que está na descrição deste blog:



Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.


Lya Luft

Não creio que meu mistério seja verdadeiro e pontual. Ele é espontâneo e é geral, às vezes, acho que todos sofrem com o meu silêncio mas também já estão acostumados a ele pois ele é parte de mim e sem ele eu nada seria!!!!!!!!!!!!!! Eu não escondo, só não quero falar!!!!!! Em algum tempo passado todos já souberam demais, entrei há alguns anos no tempo de calar, nada mais resta a não ser isso, e calar é o maior consolo de todos, principalmente quando não se é cobrado pelas pessoas ao nosso redor... As minhas dores são só minhas... apenas o resto compartilho!!!






 

06 janeiro 2013

Ano Novo, Vida Nova! Será?


Sabe quando a vida parece te levar sempre para o mesmo caminho e todos os começos paracem ser exatamente o mesmo começo, aí você percebe que não paracem ser o mesmo começo, são exatamente o mesmo começo. É isso que eu preciso mudar mas não sei como... com tantas lembranças, com tanta carência e vulnerabilidade é muito difícil mas é necessário se eu não quiser ficar ainda mais amarga  e desanimada e, algumas vezes, até infeliz.



Enfim desisti... de esperar... não há nada pelo qual esperar... é seguir... sozinha, como sempre e quem sabe assim meu ânimo volte quando não houver mais expectativas.


Assombros
Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Affonso Romano de Sant'Anna

07 abril 2012

Caminito

 
A estrada não trilhada
Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…
Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.
E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.
Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que menos frequentada me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

Robert Frost



Apesar de amar esse poema de Robert Frost sempre me dá uma sensação de angústia porque me lembra que passamos nossas vidas escolhendo e que nem sempre essas escolhas são justas conosco ou com quem nos cerca... mas são necessárias... o que as tornam trágicas. Sempre estive dividida, nunca soube escolher e isso me gerou mágoas e sofrimentos grandes demais. Mais uma vez me encontro num impasse e não sei que estrada trilhar... embora eu saiba que se eu tiver um pouco de paciência e me organizar, desta vez poderei trilhar as duas.

GAROTA DE OUTONO

GAROTA DE OUTONO