30 abril 2009

Mais um começo, mais uma despedida



Varandas

A noite é um mistério
Que eu finjo compreender
Sentado nas varandas
Esperando o amanhecer
Estrelas lá no céu
Fogueiras no sertão
E as luzes da cidade
Não espantam a solidão
Dona lua já se foi
Polvilhar outro rincão
Com o trigo da saudade
Que é a massa do meu pão
A noite é um caso sério
Que eu não vou resolver
Enquanto dormir longe
De quem fiz meu bem querer

Almir Sater




Horizontes

Acender a luz, iluminar
Vem chegado a hora
De tudo enfim se clarear
Na lida dos dias meus
Que só querem ver o vento
E viajar
Voar, voar no som
Porque será que o pensamento
Esse eterno viajante
Nos carrega a todo instante?
Sempre a procurar
Horizontes
Com as canções que eu vi a vida
Um violeiro sempre vê
Nos versos amigos meus
Navegantes indomáveis
Dessa paixão
Cortar o ar, caçar o tom
Deixar a mão guiar meus sonhos
Nas terras do sentimento
Como faz um viajante
Sempre a procurar
Horizontes

Almir Sater




Não sabemos por que certas coisas acontecem, mas elas acontecem e é impossível não pensar
Se separar não é não dar certo, as vezes pode ser continuar, continuar de outra forma
Tudo tem sido muito confuso, mais do que em qualquer outra época
As vezes só quero parar de pensar, largar tudo e ir embora
Um dia provavelmente irei mesmo, só não sei qual será o motivo, ah vou sim
Volto, claro
Mas irei
Só não posso ir agora
Falta dinheiro, falta coragem, falta mais desapego, falta principalmente dinheiro
Já tenho um plano traçado, veremos como me sairei ao colocá-lo em prática
Por enquanto sigo ouvindo Almir Sater e tudo que vejo é melancolia e beleza
E tento ter paciência e finjo ter paciência e quando tudo me sufoca perco a paciência
Vendo o que a vida quer me mostrar, infelizmente não há nada que eu possa fazer agora a não ser virar espectadora - não o tempo todo, obviamente
Bom feriado a todos, espero voltar mais serena e tranquila e muito menos ansiosa




Planície de Prata

O Sol se foi sem pressa
Deixou o céu quase sem luz
Até que veio outra estrela
Brincar com meus olhos nus
Não soube a resposta certa
Assim a solidão me traduz
Meu coração de poeta
Guardei, nem sei mais onde pus
A lua é uma porteira aberta
Planícies de prata onde me perdi
Secreta foi a serenata
Saudade maltrata
Jamais te esqueci

Almir Sater




Mês de Maio

Azul do céu brilhou
E o mês de maio, enfim chegou
Olhos vão se abrir, pra tanta cor
É mês de maio, a vida tem seu esplendor
A luz do sol entrou
Pela janela e convidou
Pra tarde tão bela, e sem calor
É mês de maio, saio e vou ver o sol se pôr
Horizonte, de aquarela, que ninguém jamais pintou
E um enxame, de estrelas, diz que o dia terminou

Noite nem se firmou
E a lua cheia, já clareou
Sombras podem vir, façam favor
É mês de maio, é tempo de ser sonhador

Quem não se enamorou
No mês de maio, bem que tentou
E quem não tiver, ainda amor
Dos solitários, o mês de maio é o protetor

Boa terra, velha esfera, que nos leva aonde for
Pro futuro, quem nos dera, que te dessem mais valor

Almir Sater

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