18 março 2008

AO FIM ESTAMOS SOZINHOS, POR FIM NOS CALAREMOS


Medo!
Sempre com medo de tudo!
Alguns paralisam. Alguns impulsionam.
Alguns são apenas temores. Alguns são fobias.
Há até os engraçados! E os sedutores!!!!!
MEDO de multidão
Medo de ser vazio. Medo de ser leviano
Medo de ser frívolo
Medo de ser VAZIO. Medo de sofrer
Medo de sorrir
Medo de viver
Medo de sentir medo
Medo da paz. Da guerra.
Do amor.
Medo de comer comida estraga.
De inseto grudado no cabelo.
De cocô no sapato
Medo de qualquer inseto
Medo de se lambuzar em público
De avião. De navio.
Do mar.
Medo do garoto bonito. Do garoto interessante.
Do garoto real.
Medo da liberdade perdida - se
ela algum dia existiu.
Medo do silêncio se tornar eterno.
Da desilusão chegar.
Medo da crueldade.
Da própria crueldade.
Medo do incerto. Mais medo ainda
do que parece certo demais.
Medo de finalmente o sofrimento vencer.
Ralvez apenas medo de chorar
Medo da falta que será eterna
Das paixões curtas demais
Medo de ver sangue.
De se tornar fútil demais.
Fraco demais. Velho demais.
De perder a dignidade - se ela existir.
O sentido. A razão.

De ser chato. De ser franco.
De ser sempre o mesmo. De não ser querido.
De não realizar os sonhos.
De não realizar nada.
De não ter força de vontade.
De ser VAZIO demais!
De cantar e alguém ouvir
De andar engraçado.
De ser desajeitado.
Da manhã, da tarde, da noite.
Medo de alguém depender de você.
De dor de ouvido.
De ser olvido.
De ser assaltado
De ser VAZIO demais.
Sofrido demais.
Louco demais.
Terno demais.
DE NÃO SER NADA.

PERDÃO SE PELOS MEUS OLHOS
Perdão se pelos meus olhos não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina:
- monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio,
fauna de pedra e mar, o desconsolo
de um planeta invernal, incorruptível.
Perdão por esta sucessão de água,
da rocha, a espuma, o delírio da maré
- assim é a minha solidão -
saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno,
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira,
silêncio de alga, canto submergido.
Neruda

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